DESCONVERSAS Pessoal

DESCONVERSAS | Já Se Perguntaram Se São Felizes?!

Sobre tomarmos consciência de que ser feliz é muito mais do que ter uma vida confortável. Por vezes tomamos como certa aquela vida sem complicações, onde achamos que tudo está a nosso favor, temos a nossa casa, o namorado ou o marido, a família, um trabalho estável das oito às cinco e um sem número de rotinas que simplesmente nem nos lembramos que podemos quebrar. Deixamos aqueles sonhos que dão muito trabalho para viver noutra vida, fazemos só o que está certo ao olhar dos outros e fingimos que somos felizes, para eles e para nós, quase sempre sem tomarmos consciência de que o estamos a fazer. Podemos viver anos a fio nisto e deitarmos a cabeça na almofada todas as noites sem ficarmos horas a combater com o que mora lá no fundo, sem vontade de acordar e querer mais. Achamos que temos tudo, achamos só. Porque na realidade não há objectivos loucos ou sonhos que façam bater o coração mais forte. E sim, podemos achar que temos tudo e que não há nada para além disto, estamos confortáveis, conformados, e felizes?! E depois vem a vida farta de nos ver ser mais um e dá-nos aquele abanão. Às vezes parece que o abanão nos deixa sozinhos, com mil porquês, sem rumo, parece que o coração se parte em mil bocadinhos cinzentos. Mas eu chamo-lhe o abanão da sorte. Não são todos os que têm direito a segundas oportunidades, a emendar erros de principiante e a recomeçar fora da zona de conforto, do zero, a descobrir aos pouquinhos que a vida é muito mais do que simples ou fácil e a colorir o coração. Uma vida feliz está longe de ser fácil. E começamos de dentro para fora, descobrimo-nos a nós, batalhamos cá dentro e depois vamos. Percebemos que afinal também temos objectivos loucos, que existe algo aqui dentro que bate mais forte, que temos vontade de fugir de ser só normais e passarmos a ser nós próprios, sem receios, com vontade de viver exactamente como imaginávamos quando éramos inocentes e acreditávamos em sonhos. Vamos à procura de sensações novas, de fazer coisas pela primeira vez, de sentir aquele frio na barriga, aquele nervoso miudinho. E deixamos de querer estar satisfeitos com a nossa vida, de nos conformarmos e vamos, sempre a tentar ser mais e melhor, a descobrir mais e mais. A querer mais. A sentir mais. A viver mais. Não há nada como ir ao sabor do vento, sem rédeas e ser surpreendido. A felicidade está longe de ser a meta, é muito mais o caminho que percorremos entre dias de sol na terra e noites de tempestade em alto mar. É viver desde o nascer do sol ao anoitecer ao mesmo ritmo, num frenesim.

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