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DESCONVERSAS | Uma Vida Sem Pessoas Tóxicas

Há duas formas de nos livrarmos de pessoas tóxicas, quando elas se afastam por livre vontade ou quando nos apercebemos que já não podemos viver mais perto daquele ninho de más energias. Às vezes essas pessoas tóxicas são as mesmas que achamos indispensáveis, as que ligamos aquando das vitórias ou no ombro que choramos quando perdemos o chão. E o problema não é nosso, por vezes gostamos tanto de alguém que espelhamos nela apenas as coisas boas, quase como uma cegueira da realidade. Não reparamos em detalhes importantes, não nos damos conta que o amor que damos uma à outra é totalmente desequilibrado, que se esforçam demasiado para sorrir, que as palavras lhes saem quase que ensaiadas, que não nos dão espaço para sermos nós próprios, que nos criam barreiras e nos fazem ter medo. Por vezes criam um certo círculo à nossa volta que não nos deixa ver o que está do lado de lá. Não há uma fórmula pra sabermos quem é tóxico ou não mas há um coração que sabe sempre o que sente. E se sente preso não está ao lado das pessoas certas. Os verdadeiros amigos, as pessoas que gostam realmente de nós, que vivem intensamente as nossas alegrias são pessoas que nos dão espaço, que nos deixam tomar a direção que escolhemos, que nos deixam tropeçar, errar mas que no final do dia estão lá sem precisar de dizer nada. Estão lá as vezes que forem precisas. As que abrem um abraço mas não o fecham completamente porque sabem o que significa para nós sentirmo-nos livres. São também as que estão lá para discordarem do que dizemos, para nos chamarem à razão, para se fartarem de dar palmadinhas nas costas, para nos fazerem crescer se for preciso, para nos deixarem sozinhos se for a solução. Mas depois voltam, quando finalmente nos apercebemos que erramos. E voltam calados, sem juízos de valor, iguais, como se nada tivesse acontecido. E tudo isto é um processo, toda esta descoberta, são precisos muitos passos em falso para percebermos quem realmente nos faz bem. Ás vezes as pessoas têm o dom de ter essa aura com elas, outras vezes está em ações tão simples que passam despercebidas. Cabe-nos a nós sentir de coração aberto e decidirmos quem merece nele um cantinho especial. Passamos uma vida a dedicarmo-nos a  fazermos outras pessoas felizes, a esforçarmo-nos para que façam parte da nossa vida e não esperamos nada mais do que esse amor na mesma medida. Mas dia após dia as pessoas mostram quem são na realidade e percebemos que não podemos esperar mais do que apenas o que são capazes de dar, muito pouco. E, finalmente encontramos discernimento para sermos mais selectivos, para nosso próprio bem, há um certo preconceito em valorizar o amor próprio, o facto de nos colocarmos em primeiro lugar mas é quase como a nossa única bóia de salvação quando no meio de uma multidão nos sentimos mais sós que nunca. Darmos conta de que por muito que sejamos pessoas positivas, com objectivos definidos, ideias fixas, a vida nunca será o que quisermos que ela seja se continuarmos a deixar certas pessoas entrarem e fazerem parte de nós. Se a energia que elas passam não nos transmite tranquilidade estão mesmo a mais. Não nos resumimos a números de amigos mas no brilho que ganhamos quando alguém com boa aura está por perto, quando alguém nos faz sentir melhor sem razão, quando nos sentimos mais capazes porque simplesmente estamos ao seu lado. Precisamos de não ter medo de afastar quem está a mais, quem só está para estragar e limitar o nosso círculo, guardar segredos a sete chaves, ser fiel a quem torce por nós sem precisar se quer de o dizer.

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